Moro ensaia nova aliança com Bolsonaro visando eleição paranaense. Confira essas e outras notícias na newsletter das últimas semanas 24/02/26.
Com a proximidade de novas eleições, o lavajatismo retorna em seu esforço de consolidação de projeto político. Mesmo com a reversão de muitas de suas decisões irregulares e perseguições políticas, é inegável que muito da realidade política brasileira atual foi consequência do impacto da Lava Jato em eleições anteriores. Isso ocorreu tanto de forma indireta, com a criação de um sentimento antipolítico, quanto de forma direta, com a perseguição de personagens específicos e a aliança de Moro com Bolsonaro. Ambos os casos podem ser reprisados neste ano e serão os temas da Newsletter do Museu da Lava Jato de 24/02/2026.
Como evitar a reincidência dos erros lavajatistas no caso do Banco Master:
Após o início da investigação do caso do Banco Master, para além da extrema gravidade do escândalo e de como pode ter chegado a tal ponto, outra preocupação que surgiu foi a possibilidade da repetição do midiatismo jurídico e desvios no processo já vistos durante a Operação Lava Jato. Para além de eventuais tentativas de acusações infundadas com vistas às eleições de outubro, a nova sequência de ataques ao STF como instituição também traz preocupações. Tais são os principais pontos das análises mais recentes, listadas a seguir.
Em artigo de Fabio de Sa e Silva no Intercept, ressalta-se as grandes dificuldades em casos financeiros que envolvam a política e o poder público, entre elas o recorte seletivo para prejudicar oponentes eleitorais, o debate incorreto que desinforma o público para proporcionar efeito midiático e fragilidade no processo para acelerar a condenação, o que resulta em irregularidades e anulações futuras. O caminho a ser seguido, portanto, é tratar o caso com a seriedade necessária, ampliar o debate sem reducionismo para que se compreenda a complexidade e se chegue a resultados concretos e válidos. Tal é uma tarefa não apenas das instituições jurídicas, mas também da mídia, que tanto contribuiu para o lavajatismo.
O jurista Lênio Streck também demonstrou preocupações similares em entrevista ao Brasil 247, na qual citou os recentes vazamentos como “heterodoxias”, no sentido de subverterem o processo jurídico regular, o que pode causar questionamentos futuros. Para ele, existe uma usurpação de competências no pedido de suspeição da PF contra o ministro do STF Dias Toffoli, pois seria função do PGR, e a aparição do STF como personagem nesses incidentes não seria mera coincidência, considerando a função essencial da corte na estabilização política após as tentativas de golpe recentes.
Já em série de artigos no Jornal GGN, relembra-se não apenas as similaridades do cenário (como o esforço midiático em se criar uma sensação de corrupção generalizada), mas também o risco ao processo eleitoral de tais eventos enquanto muitos simpatizantes lavajatistas ocupam cargos importantes, inclusive na CPI do Crime Organizado no Senado, na qual Moro tenta incluir o caso do Banco Master e até convocar Toffoli.
Ainda que muitas preocupações justas estejam surgindo, o esforço de cobrança das instituições e do comportamento da mídia pelo devido processo, focado em fatos e não em sensacionalismo, é fortalecido pela lembrança do desastre lavajatista. A preservação desta memória é um dos caminhos que auxiliam a população a compreender que os desvios citados levam apenas à impunidade dos verdadeiros culpados e à corrosão da democracia.
Moro ensaia nova aliança com Bolsonaro visando eleição paranaense:
Já no campo eleitoral direto, um legado do lavajatismo é a carreira política do ex-juiz Sergio Moro, atual senador e pré-candidato ao governo do Estado do Paraná. Muito oscilante, a sua carreira política teve início quando aceitou assumir o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro, a quem auxiliou na eleição por condenar sem provas o seu principal oponente eleitoral, o atual presidente Lula. Após essa aliança formal entre o bolsonarismo e o lavajatismo, o rompimento veio durante a pandemia, quando Moro acreditou que poderia substituir Bolsonaro como líder da extrema-direita. Desde então, o ex-juiz tem se reaproximado de forma cautelosa ao bolsonarismo, mas eventos recentes indicam que a aliança formal entre os dois grupos pode ser mais uma semelhança entre 2026 e 2018.
O que pode motivar isso é a dificuldade de Moro em se consagrar o candidato da federação partidária a qual pertence, por conta da resistência do PP. Assim, uma das possibilidades para Moro seria a filiação a um novo partido, mas até então apenas partidos pequenos demonstravam interesse. A novidade é a possível aliança com Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, indicado para a candidatura à presidência após a prisão do pai por tentativa de golpe de Estado. O que explicaria essa reaproximação, que há um tempo vinha sendo unilateral por parte de Moro, é o fato de o bolsonarismo não possuir nome forte no Estado, uma vez que Ratinho Jr. pode ser um adversário por conta de suas pretensões presidenciais. De tal forma, Flávio Bolsonaro ganharia palanque no Paraná por meio da candidatura de Moro, que, em contrapartida, teria uma legenda forte para disputar a eleição.
A indefinição da federação União Progressista (que une o União Brasil de Moro com o PP de seu desafeto, Ricardo Barros) se acentuou com a resistência reafirmada do PP ao nome do ex-juiz, a ponto de o partido falar abertamente em filiar o ex-prefeito Rafael Greca para disputar a eleição pelo partido, uma vez que Ratinho Jr. aparenta preferir o nome de Alexandre Curi. O impasse pode ser impactado pelo movimento do PL de Bolsonaro, mas sua resolução precisa ocorrer até abril, visto que é a data limite para estar filiado ao partido pelo qual concorrer em outubro.
Ao romper com Bolsonaro em 2020, Sergio Moro acusou o governo de interferências favoráveis à corrupção e chegou a dizer que a decisão visava “preservar sua biografia”.
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Referências e outras notícias
- Como evitar a reincidência dos erros lavajatistas no caso do Banco Master:
https://www.intercept.com.br/2026/02/02/caso-master-repetir-os-erros-da-lava-jato/
https://www.brasil247.com/entrevistas/lenio-streck-ve-repeticao-da-lava-jato-em-crise-no-stf-por-enquanto-so-temos-manchetes
https://jornalggn.com.br/opiniao/a-lava-jato-renasce-por-salvio-kotter/
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/o-monstro-despertou-comeca-a-lava-jato-2-por-luis-nassif/
https://www.brasil247.com/brasil/nassif-ve-retorno-da-lava-jato-com-cerco-ao-stf
https://jornalggn.com.br/politica/tv-ggn-vazamentos-pf-retorno-lava-jato/
https://jornalggn.com.br/opiniao/g-tapioca-ano-eleitoral-reativa-desestabilizacao-estilo-lava-jato/
https://www.esmaelmorais.com.br/moro-vinganca-toffoli-caso-master/
Moro ensaia nova aliança com Bolsonaro visando eleição paranaense:
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/15/possivel-alianca-de-flavio-bolsonaro-com-sergio-moro-no-parana-pressiona-ratinho-junior.ghtml
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/13/ministerio-acusacoes-e-apoio-em-2022-familia-bolsonaro-e-moro-ensaiam-nova-alianca-apos-historico-conturbado.ghtml
