Caso Banco Master evoca repetição de métodos midiáticos lavajatistas. Confira essas e outras notícias na newsletter das últimas semanas 10/02/26.
Com o término do primeiro mês de 2026, o tema eleitoral começa a adquirir mais espaço no noticiário, e, com ele, o debate sobre a persistência da estratégia lavajatista no discurso político brasileiro. Enquanto Toffoli toma novas decisões sobre as recentes anulações do STF, o caso do Banco Master preocupa por possível evocação de velhos métodos da Lava Jato. Ainda, continuam os desdobramentos sobre a descoberta de grampos ilegais requeridos pelo senador e ex-juiz Segio Moro, que a cada dia encontra novos entraves para sua candidatura ao governo do Paraná. Tudo isso na newsletter do Museu da Lava Jato de 10/02/2026.
Caso Banco Master evoca repetição de métodos midiáticos lavajatistas:
Em artigo do jornal GGN, foi levantada a questão do sensacionalismo jurídico midiático como uma lembrança do ocorrido nas eleições de 2018 e como um aviso para as vindouras eleições de 2026: o método do lavajatismo pode novamente ser aplicado. Tal análise deriva do transcorrer dos processos envolvendo o Banco Master, que veio à falência durante 2025. Em um caso que envolve uma série de questões técnicas, desde quais foram os beneficiários do colapso até como o sistema financeiro permitiu que chegasse a tal ponto, o papel da mídia deveria ser o investigativo e explicativo, para permitir ao público deglutir o conjunto de informações. No entanto, conforme o autor analisa, o que se vê é uma repetição das mesmas práticas já vistas durante a Operação Lava Jato: acusações sem provas, enredos falsos e condenações antecipadas.
Em outras palavras, o que se percebe que vem ocorrendo com o caso Master é o mascaramento de uma crise de grande magnitude, que merece investigação e preparo para ir a fundo das entranhas do sistema financeiro, descobrir as responsabilidades empresariais, as falhas fiscalizatórias, os circuitos do dinheiro, tudo isso perdendo espaço para o esforço de incluir o atual Presidente da República no enredo, sem qualquer prova nesse sentido. No entanto, conforme explica o autor, não se trata de mero erro midiático, mas de um método conhecido.
Essa característica narrativa foi típica na cobertura da Lava Jato, que, muito mais do que uma operação que perseguiu e cometeu uma série de irregularidades, foi um projeto político que obteve diversos resultados. Ainda que a operação tenha se finalizado, ela persiste tanto em resultados jurídicos e políticos (como nas decisões de Toffoli e na candidatura de Moro, ambas analisadas adiante), quanto em método de uma mídia que se recusou a aprender com o passado recente. Conforme explica o artigo, há passos sendo seguidos: o surgimento de um escândalo real vê uma resposta midiática que, em vez de focar no sistema, foca em figuras políticas pré-determinadas, com os passos seguintes sendo a repetição constante até que a convicção se sobreponha às provas, seja no judiciário, seja para o público atingido.
Os resultados dessa estratégia nas eleições de 2018 são conhecidos, o que apenas ressalta a necessidade de impedir que esse processo se repita em 2026, inclusive como forma de garantir que as investigações sigam corretamente e as consequências legais se efetivem.
Para além da presidência da república, o caso em questão também eleva o discurso anti-STF que já vem sendo aplicado como estratégia eleitoral da extrema-direita há alguns anos. É essa também a análise de outro artigo do GGN, pelo mesmo autor do anteriormente citado, Gustavo Tapioca. Mesmo que por motivos particulares a cada um, o lavajatismo alia-se ao bolsonarismo de forma muito orgânica quando o tema é o STF, visto que ambos encontraram nesta corte as consequências de seus desvios legais.
É imprescindível pontuar que as investigações que eventualmente liguem ministros do Supremo Tribunal Federal com o caso do Banco Master devem transcorrer de acordo com o rito apropriado, não apenas para que não se puna sem provas, mas também para que os resultados se efetivem, considerando as nulidades que ocorreram no caso da Lava Jato. No entanto, mais do que isso, a repetição de métodos midiáticos lavajatistas tem como alvo a própria instituição do STF, o que, mais uma vez, não por acaso, acontece em ano eleitoral.
O combate a tais estratégias lavajatistas é o caminho tanto para que as investigações tragam resultados e condenações adequadas, quanto para impedir um movimento que pretende reverter as conquistas confirmadas no STF, desde a condenação aos envolvidos nas tentativas de golpe após as eleições de 2022, até a reversão dos desmandos lavajatistas, ainda em andamento.
Toffoli nega extensão de decisões a doleiro da Lava Jato:
Conforme mencionado, ainda que a Operação Lava Jato tenha se finalizado há alguns anos, os seus desdobramentos ainda seguem ocorrendo, entre eles as revisões no STF em decorrência das irregularidades comprovadas. Ao longo do ano de 2025, o STF realizou uma série de anulações de processos por conta do conluio entre denúncia e juízo, dentre as quais algumas levaram a maiores reflexos, enquanto outras não. É o caso da decisão mais recente do ministro Dias Toffoli, que negou a extensão de benefícios de decisões anteriores para o doleiro Fernando Rezende.
Na argumentação do ministro, a extensão requereria a análise de elementos que vão além dos utilizados nas anulações referidas para a defesa. Assim, para seguir com o pedido, seria necessário buscar as instâncias equivalentes. Demais provas em seu processo já haviam sido confirmadas pela Segunda Turma em 2025.
Trata-se de mais um caso que demonstra que os processos de anulações liderados pelo STF pautam-se em elementos objetivos de provas inválidas e desvios no processo, e não apenas uma bola de neve ininterrupta, como por vezes se alarmou como tentativa de invalidar as decisões.
Grampos ilegais de Moro e desdobramentos:
Após a busca e apreensão realizada na 13ª Vara Federal de Curitiba ao fim de 2025, a primeira grande descoberta foram as provas de pedidos do ex-juiz Sergio Moro para que fossem utilizados grampos ilegais contra autoridades. Os desdobramentos dessa notícia seguem ocorrendo e, em artigo do Brasil 247, alguns detalhes sobre o caso são explicados.
Para além de novas irregularidades processuais — algo já conhecido nas atuações de Moro —, o caso retoma questões de abusos de poder, ao se considerar que o material obtido era utilizado fora das competências legais como instrumento de pressão. Mesmo antes de instrumentos específicos como a delação premiada, Moro já se utilizava de mecanismos para coletar informações de autoridades que só poderiam ser investigadas por instâncias superiores. É o que se utilizou contra o então presidente do TCU do Paraná e desembargadores do TRF-4. Boa parte do material coletado com tais estratégias nunca foi anexado a nenhum processo, e tal omissão apenas aprofunda o caso por conta de possíveis usos escusos.
Em contrapartida, Moro apresenta defesas contraditórias, por vezes negando ter havido grampos, por vezes alegando já serem irregularidades prescritas. A PF, no entanto, trabalha com a ideia de crime continuado, e mais consequências podem surgir desse caso.
Delator repassava informações de Cunha contra PT à Lava Jato:
Um dos personagens centrais do caso dos grampos ilegais de Moro foi o ex-deputado Tony Garcia, que, após ter atuado como informante do ex-juiz como parte do acordo extrapolado de delação premiada, trouxe à tona nos últimos anos os detalhes do ocorrido. Em notícia mais recente, Tony Garcia revelou que um dos grandes nomes dos quais repassava informações era o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
As informações decorrem de depoimento do ex-deputado à ex-juíza Gabriela Hardt, em que denunciava os abusos praticados por Moro em meio ao acordo de delação celebrado entre os dois. Mais do que uma função de delator, Tony Garcia havia se tornado um verdadeiro informante de Moro, e com essa função chegou a Cunha, de quem era próximo, buscando nomes para fornecer à Lava Jato. Ocorre que o PT não era apenas um alvo prioritário da operação, mas também do então presidente da Câmara, principal responsável pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, detalhe que apenas agrava a irregularidade das condenações lavajatistas baseadas apenas em delações desamparadas de material probatório.
Greca pode substituir Moro em candidatura da Federação União Progressista:
Mesmo sendo o caso anteriormente referido apenas um dos problemas legais enfrentados por Moro, o ex-juiz e atual senador segue em seu esforço para consolidar a sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições deste ano. Com o entrave de sua federação partidária ainda sem resolução, e sem nenhuma certeza quanto a eventual partido alternativo ao qual ele precisaria se filiar até abril para poder ser candidato, o único ponto que ainda o favorece nas pesquisas de intenção de voto é a confusão do cenário eleitoral.
No momento, ainda há alguns meses da campanha oficialmente começar, os principais partidos de oposição a Ratinho acabam de consolidar o lançamento de Requião Filho que, apesar da força da figura política de seu pai, ainda precisará batalhar para conseguir o mesmo destaque midiático de Moro. Outra candidatura que apareceu com força nas pesquisas foi a de Álvaro Dias, recém-filiado ao MDB. No entanto, apesar dessas recentes novidades, a indecisão que mais favorece Moro nessa pré-campanha é a do partido do atual governador, Ratinho Jr., o PSD. A demora na escolha do nome pode ser favorável a Moro, considerando o potencial que a aprovação do governo possui. Ainda que a eleição só se defina efetivamente após a campanha se iniciar, com debates e propostas verdadeiramente apresentadas, é inegável que a confusão do cenário favorece Moro, mesmo que sua própria campanha apresente instabilidade semelhante.
O nome ligado ao partido de Ratinho Jr. que mais tem demonstrado força nas pesquisas eleitorais é o do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Ainda que seu nome ainda não tenha sido ratificado pelo atual governador, Greca aparece como nome que complica a candidatura de Moro também em outros aspectos, visto que há alas dentro da Federação União Progressista que defendem o lançamento do ex-prefeito pelas legendas. Conforme noticiado anteriormente, a federação entre o partido de Moro, o União Brasil, e o PP não chegou a um acordo para a candidatura do ex-juiz, o que só permitiria que Moro fosse candidato pelo partido caso a federação fosse desfeita antes da aprovação pelo TSE. De tal forma, a sugestão do nome de Greca pelo PP é mais um movimento contrário ao nome de Moro, que pela viabilidade eleitoral apresentada nas pesquisas, poderia ser uma forma de convencer o União Brasil a abandonar a candidatura do senador paranaense, preservando a federação.
As questões citadas ainda devem levar tempo até se solucionarem, ainda que haja a data limite de abril deste ano para que os eventuais candidatos definam seus partidos, caso contrário não poderão se candidatar. O que se sobressai de todas as informações é que, a despeito das pesquisas que momentaneamente favoreçam a candidatura de Moro, ainda há muito o que ocorrer até as eleições de outubro.
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Referências e outras notícias
- Caso Banco Master evoca repetição de métodos lavajatistas:
https://jornalggn.com.br/opiniao/lava-jato-ressurge-com-o-mesmo-metodo-que-destruiu-a-democracia-em-2018-por-gustavo-tapioca/
https://jornalggn.com.br/opiniao/a-ofensiva-contra-o-stf-em-pleno-ano-decisivo-lembra-lava-jato-por-gustavo-tapioca/ - Toffoli nega extensão de decisões a doleiro da Lava Jato:
https://www.cartacapital.com.br/politica/a-derrota-de-doleiro-da-lava-jato-no-stf/ - Grampos ilegais de Moro:
https://www.brasil247.com/regionais/sul/entenda-o-esquema-de-grampos-ilegais-de-moro-contra-autoridades - Delator repassava informações de Cunha contra PT à Lava Jato:
https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2026/02/03/fora-do-caso-ex-delator-diz-que-deu-a-lava-jato-dados-de-cunha-contra-o-pt.htm
https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2026/02/02/delator-diz-que-era-informante-de-moro-e-que-podia-pedir-grampo-de-alvos.htm - Greca pode substituir Moro em candidatura da Federação União Progressista:
https://www.plural.jor.br/ricardo-barros-diz-que-moro-nao-atrai-pessoas-e-cogita-candidatura-de-greca-pelo-pp/
https://www.esmaelmorais.com.br/greca-substitui-moro-uniao-progressista/
https://www.esmaelmorais.com.br/dedo-de-moro-racha-ratinho-parana/
https://www.esmaelmorais.com.br/moro-lidera-pr-ratinho-trava-sucessao/
