No dia 28 de julho de 2015, a história da autonomia nuclear do Brasil sofreu uma inflexão dramática com a deflagração da 16ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Operação Radioatividade”. 

A prisão do vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, então presidente licenciado da Eletronuclear, sob a acusação de recebimento de propinas ligadas às obras da usina nuclear de Angra 3, paralisou o programa nuclear brasileiro. 

Othon Luiz Pinheiro da Silva, engenheiro formado pelo MIT, considerado  o pai do programa nuclear brasileiro e condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, liderou o desenvolvimento autônomo da tecnologia de enriquecimento de urânio por ultracentrifugação, um feito que colocava o Brasil na vanguarda do setor tecnológico nuclear. 

A prisão do vice-almirante seguiu o mesmo script já conhecido da Lava Jato: aplicação de medidas de coerção pessoal extremas e superexposição midiática de figuras públicas para forçar confissões e delações. 

A condenação inicial de 43 anos de prisão, pela primeira instância criminal do Rio de Janeiro, culminou em uma tentativa de suicídio do vice-almirante em sua cela, em uma unidade da Marinha. Além disso, a filha de Othon foi condenada a uma pena de 14 anos e 10 meses de reclusão, posteriormente revogada por absoluta falta de provas. 

Por trás da prisão, está uma estratégia já conhecida da Operação Lava Jato: a desestruturação de setores estratégicos da economia, soberania e segurança nacional.

Ao neutralizar vice-almirante, a operação enfraqueceu os pilares do desenvolvimento científico do programa nuclear brasileiro. O impacto financeiro na usina termonuclear de Angra 3, cujas obras foram suspensas em 2015 e permanecem inacabadas, atingiu um prejuízo que chegou a R$ 30 milhões por mês. 

A cooperação dos procuradores do MPF que atuaram na Operação com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) correu sem a observância dos trâmites diplomáticos legais, levantando, ao mínimo, sérias suspeitas sobre a influência de interesses estrangeiros na paralisação de projetos soberanos do Brasil. 

Após quase dois anos, a sanha persecutória da Operação Lava Jato novamente foi desmontada, quando em outubro de 2017, o TRF-2 concedeu um habeas corpus ao vice-almirante. 

Em seguida, o Tribunal absolveu Othon dos crimes de pertencimento a organização criminosa, obstrução de investigação, corrupção ativa e evasão de divisas.

Em 12 de setembro de 2024, o Conselho Nacional de Direito Humanos, em sua 82º reunião ordinária em Brasília, acolheu formalmente a denúncia de perseguição contra o vice-almirante. 

A decisão do órgão fundamentou uma carta de desagravo direcionada à Presidência da República, sublinhando que as ações contra o almirante visavam deliberadamente minar a soberania e a capacidade tecnológica do Brasil no ciclo de combustível nuclear.

A absolvição definitiva na esfera cível ocorreu em 27 de novembro de 2025, no âmbito da ação de improbidade administrativa (Processo 5037047-84.2019.4.02.5101) conduzida pela juíza Cláudia Valéria Bastos Fernandes, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro

Ao fundamentar a absolvição, a magistrada pontuou que a inicial se baseava em “narrativas recheadas de suposições” e “apenas conjecturas”, desprovidas de elementos probatórios mínimos de dolo ou desvio de conduta, bem como registrou que o almirante representa “uma das maiores autoridades em energia nuclear no Brasil “, reestabelecendo formalmente a integridade de sua trajetória científica.

Por fim, o caso é mais um exemplar da lista de ações da Força-Tarefa de Curitiba que não só violaram o devido processo legal e instauraram persecuções penais destituídas de provas, mas desestabilizaram setores estratégicos do desenvolvimento e soberania do país.