O novo fortalecimento do lavajatismo tem sido alvo de análises ao longo dos últimos meses por conta da condução do caso do Banco Master e das candidaturas lavajatistas no Paraná. Ambos os temas seguem evoluindo no noticiário, mas novos elementos alertam, como a promoção de Januário Paludo, ex-lava-jato, à subprocuradoria-geral e as decisões de não prosseguir com o processo contra Moro após sugerir fraudes nas eleições de 2022 e a proibição a deputados de chamar Dallagnol de inelegível. Ainda, a Lava Jato segue com impacto em países vizinhos e Ratinho é criticado por escolha tida como fraca para enfrentar Moro nas eleições deste ano. Tudo isso na Newsletter de 27/04 do Museu da Lava Jato.

Promoção de Januário:

No início do mês de abril, o Conselho Superior do MPF, liderado pelo PGR Paulo Gonet, promoveu Januário Paludo de procurador regional a subprocurador-geral da República. Trata-se, no entanto, de ex-membro da força-tarefa da Lava Jato, nome proeminente entre os líderes da operação, a ponto de ser homenageado no infame grupo de Telegram de Dallagnol e sua equipe: “filhos de Januário”. Tal promoção revela a força interna que o lavajatismo ainda possui até nos altos escalões do judiciário brasileiro, o que se agrava ao considerar o momento de repetições de métodos lavajatistas em operações judiciais importantes e no jornalismo cúmplice da grande mídia. Outro ponto a se atentar é a dúbia relação de Gonet com o lavajatismo, que pouco antes da promoção de Januário havia orientado que Moro não respondesse por insinuar fraude na eleição de Lula em 2022, o que foi acatado por Moraes em seguida.

Ratinho Jr., Moro e Dallagnol se movimentam na disputa eleitoral:

Após filiar-se ao PL e posicionar-se como candidato de Flávio Bolsonaro no Paraná, Moro substituiu a crise em ter uma legenda para disputar a eleição pela série de contradições que terá que responder sobre sua relação conturbada com a família Bolsonaro, algo que promete pautar boa parte da disputa eleitoral. Mais recentemente, no entanto, alternou entre vitórias e derrotas políticas e jurídicas. Entre os processos que assombram o ex-juiz, a possibilidade de responder por insinuar fraude na eleição de Lula não se concretizou, visto que Moraes acatou a recomendação de Gonet em não incluí-lo no inquérito das milícias digitais. Já na CPI do Crime Organizado, a qual o senador pretendia usar de palanque contra o STF, teve seu nome e o de Marcos do Val substituídos por outros senadores, o que culminou na rejeição do relatório que mirava ministros do Supremo.

Já seu antigo aliado na Lava Jato e atual aliado político, Deltan Dallagnol, também teve um misto de vitórias e derrotas jurídicas. Uma tentativa dos seus dois partidos de barrar a pesquisa eleitoral da Quest não teve sucesso na justiça e deve ser divulgada, iniciativa que demonstra incômodo dos candidatos com levantamentos que testam mais nomes. Outra derrota foi o trânsito em julgado de ação que cassou o mandato de Dallagnol, o que trouxe ao debate a questão de sua elegibilidade. Ao ser chamado de inelegível por deputados e veículos de mídia, a Justiça do Paraná proibiu que o termo fosse utilizado e mandou que as postagens e reportagens fossem deletadas. Trata-se de parte da estratégia política da candidatura de Dallagnol, cuja elegibilidade só terá decisão final quando for julgado o registro da candidatura, ainda que os indícios já estejam postos.

Por fim, na ala governista da disputa do Paraná, o atual governador Ratinho Jr. decidiu pelo seu candidato à sucessão: o deputado federal e ex-secretário de governo Sandro Alex (PSD). A decisão veio após meses nos quais foram aventados diversos outros nomes com maior impacto eleitoral imediato, como o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e o presidente da ALEP Alexandre Curi, ambos já em outros partidos para lançar candidaturas independentes de Ratinho. A escolha final leva a diversos questionamentos quanto à real intenção do atual governador em fazer frente a Moro, considerando a fragilidade do nome e seu histórico recente de derrota regional para o ex-juiz. Há quem diga que se trata de uma tentativa de composição futura, algo que talvez se confirme nos próximos meses caso o favoritismo de Moro não enfraqueça. Nessa possibilidade, Curi e Greca também estudam aliança entre si e destacam-se junto a Requião Filho e sua coligação de centro-esquerda como nomes viáveis para enfrentar a candidatura bolsonarista de Sergio Moro.

Lava Jato em cenário internacional: 

Enquanto a remanescência da Lava Jato segue em debate cada vez mais evidente no Brasil, o restante da América Latina também segue sendo afetado. Em decisão recente de Dias Toffoli, novas anulações de acordos de leniência da Odebrecht tiveram impacto em ação contra o ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli Berrocal. O caso faz relembrar que o lavajatismo, em dado momento, ultrapassou as fronteiras e almejou espalhar seu projeto político e caos econômico pelo restante do continente. O exemplo mais marcante talvez seja o do Peru, que viu seu sistema político ruir com diversos ex-presidentes presos, impeachments, tentativas de golpe e eleição após eleição com respostas autoritárias surgindo, como Keiko Fujimori, filha de ex-ditador, que mais uma vez disputará o segundo turno para a presidência do país.

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