MORO MANTÉM APOIO A FLÁVIO APÓS ÁUDIOS COM VORCARO E CONTRADIZ SEU PRINCIPAL DISCURSO ELEITORAL. Confira essas e outras notícias na newsletter das últimas semanas 19/05/26.
Com a revelação dos áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, muitos nomes da política correram para marcar sua posição diante do acontecimento, entre eles, o senador e pré-candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro. A despeito de seu histórico e principal pauta no populismo anticorrupção, o ex-juiz reafirmou o apoio a Flávio em um discurso muito contraditório. Ainda assim, o lavajatismo segue demonstrando sobrevida neste ano eleitoral, dividindo-se entre aqueles que ignoram os seus erros e os que querem impedir sua repetição. No STF ainda se analisa o remanescente da operação, e Moro vê o desenrolar do processo em que é acusado de calúnia contra Gilmar Mendes. Tudo isso na Newsletter de 19/05/2026 do Museu da Lava Jato.
Moro, e o áudio de Flávio com Vorcaro:
Após o vazamento dos áudios em que o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro pede doação milionária para filme sobre seu pai, a política paranaense rapidamente voltou-se ao mais novo aliado da família do ex-presidente: Sergio Moro. Sua resposta, no entanto, não veio com a mesma velocidade nem com o mesmo tom com que o senador assume a culpa de seus adversários políticos, ao contrário: apenas disse que Flávio “apresentou suas explicações” e, independentemente do quão convincentes foram, assumiu-as como verdadeiras. A evidente contradição com seu passado marcou presença mesmo na própria fala em que Moro defende Flávio, acusando o PT de ser o grande nome da corrupção do Brasil por conta de casos como a Lava Jato, em que boa parte das condenações foi anulada pela falta de provas e pelo conluio entre Moro e a força-tarefa.
Com pré-candidatura em andamento para o governo do Paraná, as contradições do discurso anti-corrupção de Moro devem ser bastante exploradas por seus adversários. Recentemente, o ex-juiz anunciou que faria uma “agência anticorrupção” caso eleito governador, o que demonstra que o populismo anticorrupção seguirá seu principal discurso de campanha, mas a forma como lidou com o áudio de Flávio é só um exemplo de como a promessa e a realidade se diferenciam.
Rejeição de Messias e sua relação com o recrudescimento do lavajatismo:
A chegada do ano eleitoral trouxe alguns exemplos preocupantes do retorno da metodologia e do discurso lavajatista. Um dos eventos recentes que se relaciona com isso e alarma para o futuro foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF no Senado. Ainda que as razões para o ocorrido sejam múltiplas e o futuro de uma nova indicação, talvez do mesmo nome, seja incerto, algo que o Senado demonstra ao rejeitar Messias é o combate ao fortalecimento do STF como instituição e ao processo de reversão dos desmandos da Lava Jato. Desde que Messias começou a alcançar maiores cargos, seu histórico acadêmico passou a ser revisitado e gerar incômodo por demonstrar-se consciente e crítico ao caos institucional gerado pela Lava Jato, o qual chamou de “instabilidade deliberada” em sua tese de doutorado. Percebendo-o como nome que seguiria a linha de fortalecimento das instituições, houve movimentação no Senado para impor ao presidente outros nomes, o que culminou na rejeição depois de mais de um século de indicações bem-sucedidas.
O recrudescimento do lavajatismo é tema já debatido há alguns meses por conta de reincidências de erros no caso do Banco Master, com a mídia tradicional e figuras no congresso repetindo métodos e o discurso catastrofista de anos atrás. Com o alerta para os erros já ocorridos, há esforços internos para evitar novos erros análogos ao da Lava Jato, como evitar os holofotes midiáticos e não aceitar delações sem substância probatória. Um dos nomes mais marcantes das delações premiadas desenfreadas e politicamente instrumentalizadas foi o ex-PGR Rodrigo Janot, que recentemente foi procurado para dar consultoria a uma colaboração premiada, um novo exemplo do retorno de figuras ligadas à Lava Jato ao cenário jurídico penal.
Assédio processual em caso do Outdoor e novas anulações:
Entre os casos da Lava Jato com novas decisões, um que chama muita atenção pelo escancaro dos fins políticos da operação foi o do outdoor em Curitiba. Como forma de fazer propaganda para a força-tarefa, em que nomes como o de Dallagnol logo seriam lançados para eleições, foi financiado por procurador lavajatista um outdoor, utilizando indevidamente nome de terceiro e sem nunca comprovar a origem dos recursos. O Conselho Nacional do Ministério Público classificou a conduta como improbidade administrativa, o que levou à sua demissão, com reversão posterior. A notícia mais recente é que o mesmo procurador ajuizou queixa-crime contra advogada que atuou no caso, fatiando as demandas para possível proposição de novas ações segundo o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia.
Já no STF, as anulações processuais da Lava Jato por conta do conluio entre juiz e acusação tiveram sequência com decisão de Tóffoli em favor de ex-gerente da Petrobrás. Fux, novo participante da turma do Supremo que julga os casos remanescentes da Lava Jato, demonstrou concordar com decisões de Tóffoli sobre conluio em defesa de anulação de processo contra Beto Richa. Já Gilmar Mendes rejeitou pedido de extensão de efeitos a empresário, em nova demonstração de que as anulações realizadas ocorrem pelos vícios processuais citados, sem efeito cascata a toda e qualquer condenação.
Moro e eleição pelo governo do Paraná:
Para além do recente áudio de Flávio Bolsonaro com Vorcaro e as demais contradições políticas, há dois elementos que podem gerar dificuldade na campanha de Moro para o governo do Paraná. Um deles é o processo em andamento no STF por calúnia contra Gilmar Mendes, derivado de vídeo em que o ex-juiz insinua que o ministro venderia habeas corpus. Sua última tentativa de evitar que o processo tivesse continuidade foi rejeitada por unanimidade, fato que indica possíveis consequências mais graves que sua recente declaração em que insinuou ter havido fraude na eleição de Lula em 2022 — cuja inclusão no Inquérito das Milícias Digitais foi rejeitada por Moraes. Cármen Lúcia, relatora do caso, estabeleceu prazo para a defesa do senador que, em caso de condenação, pode se tornar inelegível.
Outra questão que paira no cenário eleitoral paranaense há meses é o potencial eleitoral do atual governador Ratinho Jr. Com seus principais nomes para sucessão, ou desistindo, ou optando por lançar-se por outras legendas, o nome enfim escolhido, Sandro Alex, gerou muitas críticas pelo baixo potencial eleitoral. Debate-se caso a escolha pretenda efetivamente desafiar Moro, mas há pesquisas eleitorais que ainda indicam o apoio do atual governador como fator determinante para a opção de voto.
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Referências e outras notícias
- Moro mantém apoio a Flávio após áudios com Vorcaro e contradiz seu principal discurso eleitoral:
https://www.plural.jor.br/moro-minimiza-relacao-de-flavio-bolsonaro-com-master-e-diz-que-sinonimo-de-corrupcao-e-o-pt/
https://www.plural.jor.br/poder/no-estranho-codigo-penal-de-sergio-moro-flavio-so-seria-corrupto-caso-se-filiasse-ao-pt/
https://www.esmaelmorais.com.br/moro-agencia-anticorrupcao-flavio-bolsomaster/ - Rejeição de Messias e sua relação com o recrudescimento do lavajatismo:
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/a-lava-jato-2-e-o-assalto-ao-supremo-por-luis-nassif/
https://www.esmaelmorais.com.br/o-golpe-continuado-da-lava-jato-ao-controle-dos-bilhoes-coluna-do-andre-vargas/ - Master e os erros da Lava Jato:
https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/investigadores-revisitam-traumas-da-lava-jato-para-tentar-nao-repetir-erros-no-caso-master.ghtml
https://www.brasil247.com/midia/elo-entre-globo-e-lava-jato-envolvia-vazamentos-coordenados-lobby-e-consultoria-informal-aponta-relatorio - Janot ensaia retorno às delações premiadas:
https://www.cartacapital.com.br/justica/janot-antigo-protagonista-da-lava-jato-ensaia-volta-ao-direito-penal/ - Assédio processual em caso do Outdoor:
https://jornalggn.com.br/noticia/juristas-acusam-procurador-da-lava-jato-de-assedio-processual-contra-advogada-que-atuou-em-caso-de-outdoor/ - Novas anulações:
https://www.conjur.com.br/2026-mai-13/dias-toffoli-anula-todos-os-atos-da-lava-jato-contra-ex-gerente-da-petrobras/
https://www.cartacapital.com.br/politica/gilmar-impede-carona-de-empresario-em-decisao-pro-jose-dirceu-na-lava-jato/
https://www.cartacapital.com.br/politica/fux-defende-decisao-de-toffoli-e-mantem-a-extincao-de-processos-contra-beto-richa/ - Carmen Lúcia será relatora de ação contra Moro no STF:
https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/carmen-lucia-sera-a-relatora-de-acao-penal-contra-moro-por-calunia-a-gilmar/
https://www.cartacapital.com.br/justica/carmen-lucia-da-5-dias-para-moro-se-defender-em-processo-de-calunia-contra-gilmar-mendes/ - Eleições 2026:
https://www.cartacapital.com.br/politica/o-favoritismo-de-moro-e-o-paradoxo-de-ratinho-junior-no-parana/
https://www.esmaelmorais.com.br/pcdob-moro-ratinho-sandro-alex-laranja-parana/
